1500 estúdios para estudantes. A Temprano Capital Partners vai investir 100 milhões de euros em quatro residências universitárias em Lisboa, Porto e Coimbra.

Por Octubre 9, 2017Cobertura medios

É o maior investidor no ainda incipiente mercado de residências universitárias em Portugal e nos próximos dois anos vai disponibilizar 1500 estúdios para estudantes em Lisboa, Porto e Coimbra. A Temprano Capital Partners, um grupo europeu com base em Barcelona, tem o seu primeiro projeto em Portugal prestes a terminar — o Collegiate Marquês de Pombal, na Rua do Conde Redondo.

Foi aqui, num antigo edifício dos CTT totalmente reabilitado, que surgiu uma residência universitária de luxo, onde os 330 ocupantes dos apartamentos terão acesso a benesses pouco usuais para este segmento: piscina, sala de fitness, zona partilhada de cinema, biblioteca e parque de estacionamento para bicicletas.

A este primeiro investimento da Temprano junta-se uma parcela de terreno adquirida há bem pouco tempo na Rua Sousa Lopes, junto a Entrecampos, onde será construído de raiz um edifício com capacidade para 370 pessoas e que ficará concluído em 2019. Um outro lote perto do Campus Universitário do Porto — e que terá o maior edifício de todos — vai acolher 580 estudantes (também será finalizado em 2019). O edifício de Coimbra está ainda em fase de negociação, mas se tudo correr como previsto vai ter 250 quartos.

No total, a Temprano irá investir entre €80 milhões e €100 milhões em Portugal. “Andámos a estudar este mercado durante alguns meses, e o primeiro ativo [o do Conde Redondo] que adquirimos ficou fechado em 2015. Identificámos este sector das residências universitárias, praticamente inexistente em Portugal, como uma área forte em crescimento quanto à procura. Daí a nossa aposta”, diz Neil Jones, um dos sócios fundadores da Temprano.

Com capital para investir e sem concorrência à altura, o ‘problema’ da empresa incide na falta de bons ativos para reabilitar ou construir de raiz. “A verdade é que não é fácil encontrar o tipo de escala de que precisamos. É muito difícil encontrar um edifício com 10 mil metros quadrados no centro das cidades”, reforça James Preston, o outro sócio da Temprano.

Ambos são conhecedores de longa data dos mercados imobiliários de Portugal e Espanha. Neil Jones, paralelamente à sua atividade na Temprano, mantém funções não executivas na direção da Sonae Sierra, grupo onde foi buscar o arquiteto José Quintela, responsável por projetos como o Centro Comercial Colombo ou Vasco da Gama e agora à frente da coordenação da arquitetura das residências universitárias Temprano.

O grupo espera atrair não apenas estudantes Erasmus para as residências mas também muitos universitários nacionais, num “mix bem equilibrado”, dizem os responsáveis, dada a escassez de espaços qualificados para este segmento muito específico.

Completamente consolidado no Reino Unido e nos Estados Unidos, este mercado é considerado uma rentável classe de ativos que atrai cada vez mais investidores. Até porque o número de estudantes estrangeiros a circular na Europa deverá atingir os 7 milhões em 2020.

38 MIL ESTUDANTES ESTRANGEIROS À PROCURA DE CASA

Portugal está a dar agora os primeiros passos, mas já começa a atrair alguns destes investidores, que a consultora JLL, no seu relatório “European Student Housing 2017”, estima terem atualmente entre €4 mil milhões e €5 mil milhões de capitais disponíveis em busca de stock de residências de estudantes em vários países da Europa.

No relatório identificam-se os seis mercados europeus onde este sector deverá registar um crescimento significativo e sustentado: França, Alemanha, Irlanda, Itália, Holanda e Espanha. Portugal tem ainda “pouca escala, mas está a acompanhar esta tendência europeia e cresceu bastante no último ano”, diz Maria Empis, do Departamento de Pesquisa da JLL Portugal, lembrando que o número de estudantes estrangeiros no nosso país foi cerca de 38 mil no ano letivo 2015/16, o equivalente a 11% da população estudantil em Portugal. 42% dos estudantes estrangeiros estão em Lisboa e 17% no Porto.

A oferta qualificada que existe resume-se atualmente a seis residências (com capacidade para 300 alunos e já todas esgotadas), mas há vários investidores a procurar oportunidades neste mercado, principalmente nos eixos do Saldanha, da Almirante Reis e do Bairro Alto, segundo o estudo da JLL.

Marisa Antunes – texto

Nuno Botelho – foto

Source: EXPRESSO PORTUGAL, October 2017.

PGlmcmFtZSB3aWR0aD0iNjQwIiBoZWlnaHQ9IjQwMCIgc3JjPSIvL3d3dy55b3V0dWJlLmNvbS9lbWJlZC9hMDQwSWNxVS1Sbz9yZWw9MCZhdXRvcGxheT0xIiBmcmFtZWJvcmRlcj0iMCI+PC9pZnJhbWU+